Esquerdismo/socialismo pretende substituir a religião

Gosto de malhar ouvindo o Podcast do Mises. E quando eu gosto de um podcast, eu escuto até mais de uma vez. Foi o caso desse episódio em que o âncora do programa, Bruno Garschagen, fez uma entrevista com Yago Martins sobre o esquerdismo/socialismo ser tomado como religião por seus adeptos. O Podcast você pode ouvir clicando aqui.

Nessa entrevista, o mais interessante é analisar como o ser humano é carente de um significado existencial! Num contexto histórico em que as pessoas, infelizmente, já não se identificam mais com os mitos das culturas, com os dogmas das Igrejas e dos milagres bíblicos, a ideologia política substitui a fé na expectativa de um futuro melhor, desde que sociedade seja de uma tal forma organizada. Cegos para entender o que vai acontecer com a alma depois da morte e ignorando os motivos que nos trouxeram até aqui, muitos radicais ideológicos se desesperam com a percepção de que os recursos são escassos, e que um dia, tudo o que os nossos olhos enxergam vai ser transformado e, possivelmente, até destruído.

As religiões têm proposto tantas respostas maravilhosas e inteligentes para essas angústias humanas, que eu não entendo como o medo e a dúvida ainda ganham seguidores. Mas a verdade é que nesse cenário, as ideologias políticas, que deveriam ser apenas sugestões de como administrar melhor o que é coletivo e de como resolver conflitos da maneira mais justa, acabam tornando-se a tábua de salvação, a única expectativa que alguns seres humanos encontram para aliviar o sofrimento humano.

O problema é que a teoria é muito mais encantadora do que a prática. E ainda, mesmo que elas tenham falhado todas as vezes que tenham sido colocadas em prática, sobretudo as de cunho socialista (comunismo e fascismo), há quem as defenda como se fosse um torcedor de time de futebol, que assiste o time perder todos os jogos, reiteradas vezes, mas ainda assim continua torcendo e acompanhando suas derrotas cega e burramente.

Sabemos que não é racional. Um fanatismo religioso ou político não é racional. É emocional. O que a gente precisa entender é que só vai ser possível encantar um torcedor do time socialista nas ocasiões em que:

HIPÓTESE 1) Ele empreender, abrir uma empresa, empregar funcionários, pagar impostos e sofrer, às duras penas, as terríveis burocracias impostas pelo modo de vida que a sua ideologia prega. Se ele quiser oferecer soluções para a comunidade, claro. Porque assim ele se deparará com a realidade. Diferentemente da utopia, a realidade demonstra, na pele, que uma ideologia política baseada no planejamento central do comportamento humano machuca muito mais do que ajuda as pessoas.

HIPÓTESE 2) Ele toma para si a responsabilidade de conhecer outras ideologias, como alguém que busca estudar uma nova religião. Ele abre seu coração para dar testemunho do conhecimento aprendido, analisando o comportamento das pessoas que também vivem na prática o conteúdo pregado e passa a entender que, aqui na Terra, propor uma maneira simples e fácil de resolver os problemas de todo mundo em sociedade é tão difícil quanto a conversão de milhões de almas que perambulam sem o menor sentido de direção. Ou seja, há que se tonar muito cético quanto ao comportamento humano, muito mais cético do que ele já foi com religião um dia.

Não pretendendo esgotar o assunto da entrevista, que fala de muitas outras coisas que nem citei aqui para não dar spoiler, encerro com a reflexão mais incrível que o podcast me trouxe: “não é a utopia que move o mundo, mas a necessidade”. A frase atribuída a José Saramago explica meu entendimento com todas as letras, conceitos e sentimentos que eu não seria capaz de expressar em palavras melhores.

“Não é a utopia que move o mundo, mas a necessidade” – José Saramago

Quando se propõe uma ideologia, ou então uma utopia sobre um modo específico em que a sociedade viveria melhor, há que se levar em conta que cada um possui uma necessidade própria, que a compreensão particular sobre necessidade individual varia infinitamente, e que somos tão diferentes entre nós mesmos que obrigar um ser humano a fazer ou viver de acordo com os nossos próprios interesses não seria uma ideologia, seria um crime.

Antes de achar que essa discussão é entre esquerda X direita, socialismo X capitalismo, entenda que o conflito inicial é apenas: a liberdade do indivíduo somada à sua responsabilidade em assumir suas consequências versus a opressão de alguns poucos indivíduos que vão decidir e obrigar os demais indivíduos a seguir o que os poucos decidiram.

Agora, o que de mais importante nós precisamos entender é que, independentemente da crença de cada um sobre o que é liberdade, justiça ou fraternidade, qualquer tipo de ideologia política assumida como religião é perigosa. Não porque religiões sejam perigosas, podem até ser, mas é que a ideologia política não depende somente da sua conversão individual ou da sua prática ritualística em comunidade para ser colocada em prática. A ideologia política, quando tomada cegamente, anula e atropela o livre arbítrio individual, e, consequentemente, causa tão graves e profundos prejuízos que nem os nossos olhos, acostumados com notícias de morte e miséria na televisão, seriam capazes de enxergar.

 

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