Gente que precisa de terapia, e não de entrar na política!

É péssimo conviver com gente que acha que tem mais direitos que os outros, mais dores do que os outros, mais dificuldades a serem superadas do que os outros! Chega a ser irritante quando aparece alguém que quer mudar meu jeito de enxergar o mundo, como se a sua forma fosse a única “correta”.

Não tenho paciência para quem quer mudar a minha forma de escrever, mudando o gênero das palavras, mudando o sentido da minha comunicação para o que é conveniente ou inconveniente para o seu padrão de linguagem, e, pior ainda, tentando impor isso, ou qualquer outro pensamento particular como a forma que faz o bem para todos. Não entendo essa implicância com a diversidade!

Respeito o que as pessoas pensam, vou lutar sempre para que o indivíduo tenha a liberdade de pensar e agir como quiser, sendo responsável pelas consequências dos seus atos. Mas vamos concordar, é totalmente cansativo encontrar isso como pauta política. Não existe uma só forma de conseguir educar as crianças, como também não existe só um jeito certo de ensinar como respeitar as pessoas ou de entender o mundo.

É de uma prepotência enorme achar que só porque o ser humano estudou mais ou viveu uma situação tal ou nasceu com tal característica que vai ser o único capaz de propor a receita infalível para o bem da humanidade! Já que ninguém pode sentir sua dor, já que nada vai mudar o passado… A verdade é que ressignificar o passado, tomar coragem para enfrentar a dor seria o fim para a legitimidade do seu discurso.

Se a conversa fosse assim: “Olha, esse foi meu jeito de lidar com preconceitos e com a minha dor. Deu certo. Vamos lutar para que a gente tenha outras soluções e mais pessoas também respeitem as outras e tenham mais oportunidades?”. Seria ótimo. O que me incomoda é essa superioridade em achar que o vitimismo que lhe cabe é intocável e imutável! Porque se a pessoa não quer entender o seu passado como um meio de superação para sua dificuldade, é porque ela teme perder a única característica que a define ou que ela está apegada.

Gente assim precisa de psicólogo, e não de entrar na política! Incluir a própria dor como pauta política é o caminho para a gente não chegar a lugar nenhum, ignorar pautas verdadeiramente importantes e perder tempo de solucionar problemas graves! Nenhuma lei vai mudar o passado de ninguém! Política é para olhar para o futuro, de agora em diante, para que erros não possam mais ser cometidos!

Se a pessoa tem uma dor e quer usar isso para o bem, que ela trate isso como tema de educação, que atue na conscientização e promoção de amparo às pessoas em situação parecida, usando um belo discurso de empoderamento individual ou propondo um método próprio de ensino! Do contrário, criando leis e políticas públicas para isso a pessoa nos constrange a ouvir suas lamentações, a aceitar que o mundo pense como ela e a pagar pelas suas responsabilidades!

Dores e passados trágicos não é pauta para política! Se cada pessoa, de cada histórico de dificuldade, de pobreza ou vulnerabilidade vier pautar as demais sobre o que elas devem pensar, agir ou tratar o ser humano, a gente entraria numa chatice interminável de reclamações, numa análise psicanalítica infinita de retroalimentar a “importância da dor” por ela ser o centro das atenções!

Pauta política é para tratar do indivíduo, independentemente do sexo, característica física, preferência ou atribuição própria que defina sua identidade ou passado. Se a gente for abrir exceção para cada grupo, a gente vai tratar de exceções e não de regras. Política é para discutir e propor leis que garantam e sejam capazes de assegurar a liberdade das pessoas, a segurança dos indivíduos. É impossível corrigir todos os males do mundo através de políticas públicas! O objetivo de um legislador e de um gestor público é apenas o de corrigir os incentivos para a maldade, para que as pessoas deixem de cometer crimes e sejam muito mais propensas a praticar o bem pelo seu próprio interesse.

É por isso que a política no Brasil está complicada. Quando tratar a regra é exceção, as exceções viram regras, e exceções são impossíveis de serem cumpridas como regras!

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