A maior invenção da humanidade

Recebi uma mensagem de um intelectual que, lendo meus artigos, não entendeu o que eu tinha dito sobre áreas da educação que têm alto investimento público mas não têm valor nenhum para a população em geral. Ele apresentou seus argumentos, acreditando que a maior invenção da humanidade tinha sido o Estado, que controlava o capitalismo e as maldades decorrentes dos interesses pessoais desordenados.

Depois dessa conversa decidi responder publicamente aqui no meu blog. É possível que muitos especialistas em algumas áreas não tenham muito conhecimento sobre outras matérias. É a consequência da especialização de funções, o que é ótimo para a sociedade, aliás. A pessoa passa a saber muito sobre algo específico, e muito pouco sobre várias coisas, assim ela oferece para os outros o que tem, e recebe dos outros o que não tem. Um produtor de pequi ganha dinheiro vendendo pequi, mas compra o resto da feira dos outros produtores, por exemplo. Excelente! Cada um se dedica ao que faz de melhor, e todos se beneficiam, mas acontece sempre o deslize de se dar atenção demais à opinião de especialistas de outras áreas. É como se o produtor de pequi fosse respeitado para falar de pequi, mas fosse também questionado sobre aspargos e levado à mesma condição de especialista.

Já que tenho me dedicado a estudar a organização das sociedades, políticas públicas e justiça, vou tratar de ser o mais clara o possível no tema. Como descobrir o que tem valor para a sociedade? O Estado será o mais inteligente instrumento para saber o que as pessoas precisam para elas mesmas? O que as pessoas querem para elas mesmas? Será o Estado capaz de gerar riqueza e transformar a vida das pessoas? Não, claramente, o Estado não gera riqueza, apenas gasta boa parte da riqueza produzida pelos cidadãos na expectativa de devolver em troca soluções impostas de cima para baixo. O que faz as pessoas mudarem a situação de dependência econômica para uma situação de protagonismo? O Estado também não, ao contrário, porque ele cria dependentes e dificulta a vida dos empreendedores que querem se libertar de toda dependência. O que empodera, de verdade, o ser humano, seja ele histórica, genética ou culturalmente menos favorecido? O voto democrático, que dá uma chance em um milhão de que a sua escolha seja eleita? Ou o voto econômico que, através de uma cédula, você elege sua escolha e leva para casa 100% das vezes exatamente o que escolheu?

Pelo pouco que foi dito, acho que ficou claro que temos cada um interesses pessoais diferentes, que é, de fato, impossível agradar todo mundo com o voto ou com as decisões impostas pelo Estado.

Em um determinado momento da história, as pessoas eram presas à terra, se a terra produzisse, elas tinham o que comer, se não, morriam de fome. A maior invenção da humanidade foi capaz de dar uma nova opção para essas pessoas. A partir de então, as pessoas que estavam presas à terra passaram a ter seu tempo e dedicação trocado por alimento, por uma mercadoria importante ou uma condição de vida melhor do que a anterior. Tudo isso de forma voluntária! Ninguém era obrigado a deixar a terra, a mendicância ou outra ocupação pela troca voluntária de serviço por produto, ou tempo por alimento. Antes, presos, muitos não tinham poder de escolha, a partir da maior invenção da humanidade, as pessoas passaram a escolher o que era melhor para elas. O resultado foi o aumento da expectativa de vida, o aumento da riqueza e a distribuição natural das riquezas produzidas.

A maior invenção da humanidade foram as trocas voluntárias! Trocas voluntárias? Como assim? Simples: uma pessoa precisa de dinheiro para comer, outra pessoa precisa do tempo e do esforço dessa pessoa. Logo, ambas trocam o que têm para oferecer e todos ganham. 100% de aproveitamento. Lembra da especialização acima mencionada? O vendedor de pequi pode trocar voluntariamente o pequi que produziu por uma mercadoria, o dinheiro, que vai dar opções para ele trocar voluntariamente por outra mercadoria que lhe seja de maior interesse. Mas e o Estado? Onde fica nessa equação? Infelizmente, é o melhor de propaganda nesse cenário mas o que mais atrapalha as pessoas de trocarem voluntariamente.

O que não serve para ser admitido por outra pessoa de forma voluntária, não deve ser imposto coercitivamente. Entretanto, é isso que faz o Estado. O Estado não é voluntário, é coercitivo. Ele não troca com as pessoas de forma voluntária, ele toma, coage e impõe através das leis exatamente o que os próprios cidadãos são impedidos de fazer, como por exemplo: prender, furtar,  ameaçar, etc.

O trabalho, a busca pela realização dos próprios sonhos, a tentativa de servir e apresentar para a comunidade soluções em troca de algo mais benéfico para si faz parte da natureza humana! Todos temos nossos próprios interesses, mas a forma com que temos maior garantia de conseguir alcançar esses interesses é exatamente oferecendo em troca o que as pessoas também desejam possuir.

Sobre a educação no Brasil ter investimento desnecessário, é exatamente por não oferecer o que as pessoas precisam, de fato. Muitas áreas da educação ensinam matérias irrelevantes, criam especialistas em conteúdos em que as pessoas não estão dispostas a comprar, ou então que não vai mudar a vida delas para melhor. Voluntariamente, as pessoas não compram, mas como o Estado toma nosso dinheiro à força e devolve obrigatoriamente o que os políticos e agentes públicos interessam, nós somos obrigados a absorver e aceitar o que nos dão. Obviamente, não é somente em educação, senão em diversos outros produtos ou serviços que temos, direta ou indiretamente, a “mão invisível” do Estado.

Já parou para pensar no que você é obrigado a comprar, estudar e fazer, única e exclusivamente porque é obrigado pelo Estado, pelos órgãos públicos ou pela estrutura comandada pelo Poder Público? Já parou para pensar sobre as trocas voluntárias que você estaria disposto a fazer, pelo bem da ciência e da humanidade, mas que você não faz porque o Estado te coage e obriga a fazer diferente?

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