Por que existem tão poucas mulheres na política?

Sempre me pedem para comentar sobre a participação feminina na política.

Primeiro porque eu não sigo os padrões que o senso comum supõe.

Segundo porque eu sou mulher e decidi por mim mesma participar como protagonista na política partidária eletiva, sem esperar cotas ou ser “colocada” por conveniência, como costuma acontecer com esposas ou filhas de políticos famosos.

E, por último, porque eu não falo para agradar os grupos feministas. Eu não me considero feminista. Não gosto de termos que colocam as pessoas em qualquer espécie de time, uns contra os outros, mulheres contra homens, por exemplo. Política não é time e não deve ser tratada assim. Agora vamos ao que interessa.

Política é luta pelo poder. Mas cada indivíduo quer poder fazer algo diferente. Uns querem poder viajar, comer bem e “encher a cara”. Outros querem poder ajudar o próximo, ser reconhecidos pela bondade ou deixar um legado no mundo. Outros ainda só querem poder ter vantagem sobre os outros. Ou seja, cada um quer um poder específico. Homens e mulheres costumam ter características e preferências diferentes. Natural que queiram tipos diferentes de poder.

Falta mulher na política? Falta. Por quê? Porque em comparação com os homens, menos mulheres querem participar. E por que não querem, tanto como os homens? Esse é o ponto mais relevante. Política é estratégia de longo prazo. Não garante certeza de sucesso, mas requer diariamente a prática de manutenção da confiança de pessoas certas (eis a árdua missão da política: descobrir quem são as pessoas confiáveis!).

Será então que muitas mulheres não querem participar da política? Talvez. E eu tenho alguns palpites por quê. Como eu já disse, política exige tempo de dedicação. Para as que são mães, a família costuma ser uma necessidade natural que exige maior atenção. Não dá para ficar conquistando a confiança das pessoas sem saber se são confiáveis e o que vai acontecer no futuro, com menino pra amamentar, preparar sua comida e pedindo colo, por exemplo.

Se a mulher é solteira ou não tem compromisso com família, eu já tenho para essa pergunta duas hipóteses:

  1. A primeira é a de que muitas mulheres de boa intenção não acreditam na política, não saberiam o que fazer para mudá-la, ou não acham que compensa todo o esforço a longo prazo para não ter segurança de retorno na dedicação investida. Nessa primeira hipótese muitos homens de valor são incluídos. É mais fácil dedicar-se em caminho seguro para obter poder, ainda que somente econômico, através da profissão e do trabalho.
  2. Por outro lado, minha segunda hipótese é a de que é muito mais fácil, rápido e eficaz para qualquer mulher que queira poder, independentemente de boa ou má intenção, usar do seu apelo sexual para conquistá-lo. Se o homem já tem o poder que ela deseja, ela só precisa conquistar o homem. O poder dele vem no pacote. Mesmo porque se ele também deseja a beleza e a companhia dela, vai compartilhar com ela o poder dele. Quer ver como é a luta pelo poder feminino? Entra numa boate, analisa bem com seu senso crítico a postura das mulheres, e então reflita por si mesmo. Em boates tradicionalmente heterossexuais como as baladas sertanejas, essa análise é fácil. A mulher sabe bem lutar por poder com um belo vestido, uma maquiagem bem produzida e um salto alto elegante.

Homens também usam do seu charme de atração sexual? Claro! Mas é bem mais difícil quando o objetivo é atrair sexualmente o sexo oposto (a não ser que seja homossexual, porque aí sim a beleza vale mais). A mulher poderosa não vai querer somente atributo sexual. Não para compartilhar seu poder com ele. Ela vai exigir que ele se comprometa na manutenção do poder que ela tem. Senão será um relacionamento insustentável. No caso da mulher atraente, basta que ele mantenha o seu poder e ela, a atração física, que o compartilhamento de poder permanece mais viável.

Ao homem poderoso exige-se quase que inevitavelmente que atue politicamente para o sustento do poder que conquistou. Nem que este poder se resuma em tratar bem os sogros e cunhados poderosos, os clientes, os amigos ou os colegas da instituição que lhe outorgaram poder.

O que eu reflito aqui é que a mulher ambiciosa (no bom e no mau sentido) talvez não encontre necessidade na arte de se aventurar politicamente (aqui definido como o investimento de longo prazo na relação de confiança entre as pessoas). Ao homem ambicioso, bom ou mau, sim. Porque todas as pessoas, de um modo geral, buscam resolver os problemas que mais lhes incomodam com os instrumentos que elas têm às mãos. Porque se a mulher sabe que consegue poder com sua beleza, ela vai usar suas estratégias. Se o homem é inteligente, vai usar sua habilidade política. É apenas uma análise da natureza humana. Claro que cada indivíduo tem seus talentos particulares para buscar melhorar sua situação atual (poder) que independem de outros fatores.

Por esses motivos não adianta criar leis que obriguem mulheres a se candidatarem, se seus problemas forem outros, se suas pretensões forem outras. A propósito: candidatar-se não significa ter chance de eleger-se. Então não adianta fazer lei para que se candidatem. Para sanar a ausência da mulher na política é necessário que nós, mulheres, queiramos e ocupemos os espaços! Assim como os homens que estão sem acreditar na política também deveriam ocupar os espaços dos corruptos.

Porque tem mais um segredo nessa história: poder não é dado. Poder é conquistado! E a arte da política é exatamente a arte de conquistar poder. Vale muito mais o reconhecimento das qualidades femininas que tanto contribuem para a boa política do mundo, do que a reclamação insistente de que faltam mulheres no poder. Cada mulher tem seu jeito particular de conquistar o poder que quer sem que ninguém obrigue ou imponha. Pela natureza humana, e usando um pouco de estatística, a mulher costuma trabalhar de forma muito mais carinhosa, é mais resistente às dificuldades, possui uma sabedoria intuitiva e, ainda, expressa fervorosamente sua religiosidade às famílias e instituições que participa. Esse poder feminino é impossível de ser ignorado. Ainda que não se comente sobre o assunto de forma explícita. Quando uma mulher entende o verdadeiro poder que tem, ela conquista o que bem entender. Não somente pelos atributos que a definem como mulher, senão pelas suas características particulares.

Assim, fica claro que a mulher está sempre presente na política, conquistando o poder que ela deseja ser mais valioso. Pode ser que esteja à frente de uma campanha política como líder ou nos bastidores. Na sua casa, no seu trabalho ou na organização que participa. Talvez o poder da mulher não seja tão evidente, como a sua ausência na participação política eletiva. Mas as coisas estão mudando. Olha eu aqui entrando na política! Olha você aqui interessado (a) em entender o motivo pelo qual as mulheres não estão tão em destaque na política!

Defendo que poder é algo que se conquista. E mesmo que não esteja noticiado publicamente, nós mulheres estamos sempre, ao nosso modo, conquistando o poder que nos interessa.

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