Fora, ideologia!

Nós estamos vivendo um momento muito curioso, não seria previsível nem pelos mais sagazes futuristas do século passado. Conquistamos avanços tecnológicos inacreditáveis, estreitamos distâncias e prolongamos a vida do ser humano como jamais tivemos registro. Mas a verdade é que na política as pessoas ainda insistem em apegar-se a ideias como quem se apega a uma religião. Afastam-se da ciência e dos dados empíricos, devaneiam-se em ilusões e preconceitos pessoais e acabam por perderem o senso de comprometimento com as soluções que o país mais precisa!

A frase é corriqueira, mas sábia: contra fatos não há argumentos, não há insurgências conspirativas, não há ideologias infalíveis. Há de se ter o cuidado e a preocupação de se estudar previamente os dados, os fatos e a história, com suas experiências anteriores a fim de emitir pareceres e, sobretudo, embasar os votos para projetos de lei que vão influenciar a vida de milhões de pessoas!

O mais infeliz dos casos é a debochada evidência percebida pelos políticos tradicionais de que a discussão nas redes sociais se presta mais à discórdia do que à união da sociedade em torno de uma solução objetiva contra a terrível corrupção. Enquanto o eleitorado discorda entre si, os “campeões de promessas não cumpridas” estão usando toda a estrutura dos seus cargos para negociar favores e combinar apoios eleitorais.

Para as eleições deste ano não precisamos disputar a melhor ideologia. Precisamos de diálogo e engajamento cívico! Pare de perguntar se o colega é de direita ou de esquerda! Encontre com ele um ponto de convergência e defenda-o, juntos! O inimigo comum não é a ideologia, é a corrupção escancarada dos que trabalham noite e dia não em soluções para os problemas da sociedade, mas para conquistar poder, voto e privilégios pessoais.

Se não tivermos a capacidade de encontrar convergências propositivas, não vai ser preciso achar um bom vidente para identificar o trágico fim das nossas esperanças. Decretar-se-á, fatalmente, a falência das nossas instituições pela completa incompetência civilizatória do nosso povo.

 

*Esse artigo foi publicado no Jornal O Popular no dia 26/05/2018

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